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Amar como Cristo nos amou: uma nota de paz e reconciliação

UMA REFLEXÃO DA NOTA PASTORAL DE DOM MARTIN LASART.

Há momentos em que uma comunidade é ferida não apenas pela violência, mas também pela perda da confiança, da esperança e da capacidade de acreditar que é possível caminhar juntos. Os acontecimentos dolorosos vividos em Cazombo deixam uma pergunta profunda no coração: como responder à dor sem permitir que ela se transforme em ódio?

A resposta de Cristo continua atual e exigente: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15,12).

Amar como Cristo não significa ignorar a injustiça, aceitar a violência ou permanecer indiferente diante do sofrimento. Significa escolher um caminho diferente: o caminho da paz, do diálogo, da reconciliação e da verdade. Cristo ensinou-nos que não se vence o mal com o mal. Quando respondemos à violência com mais violência, a ferida torna-se maior; quando respondemos com amor e sabedoria, começamos a construir pontes onde antes havia muros.

O amor de Cristo não conhece fronteiras étnicas, sociais ou culturais. Ele acolhe todos: pobres e ricos, doentes e saudáveis, próximos e distantes. Por isso, amar verdadeiramente é ultrapassar os limites do nosso grupo, da nossa família, do nosso bairro e da nossa comunidade, reconhecendo em cada pessoa um irmão e uma irmã.

Cazombo precisa de paz. Moxico Leste precisa de paz. Angola precisa de homens e mulheres capazes de transformar lágrimas em esperança, revolta em diálogo e sofrimento em compromisso com a justiça.

Que cada cristão seja, neste momento, embaixador da paz. Que os catequistas, líderes comunitários, autoridades, jovens, famílias e todas as pessoas de boa vontade ajudem a impedir que a dor de hoje se transforme no ódio de amanhã.

Perdoar não significa esquecer. Reconciliar não significa negar a verdade. Amar não significa permanecer calado diante da injustiça. Amar é escolher a vida, defender a dignidade humana e procurar caminhos de convivência onde todos possam sentir-se respeitados.

Que a nossa resposta seja firme, mas nunca violenta; corajosa, mas nunca vingativa; verdadeira, mas sempre acompanhada de caridade.

Como nos recorda o Evangelho, Cristo amou até ao fim. E é esse amor que deve inspirar-nos a continuar caminhando, mesmo quando o caminho é difícil.

Que Maria, Rainha da Paz, cubra o povo de Cazombo, o Moxico Leste e toda Angola com o seu manto materno.

Que não sejamos instrumentos de divisão, mas construtores de pontes; não semeadores de ódio, mas semeadores de esperança; não mensageiros de violência, mas testemunhas vivas do amor de Cristo.

Porque, quando tudo parece perdido, o amor ainda pode abrir um caminho.

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