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Primeira Profissão Religiosa em Goma: Dez “Sim” que Renovam a Esperança

Profissão religiosa !

República Democrática do Congo – 19 de agosto de 2026

Há dias que passam no calendário, mas há outros que ficam gravados na memória de uma comunidade, de uma Congregação e de uma missão. A quarta-feira, 19 de agosto de 2026, foi um desses dias para a Família Salesiana na República Democrática do Congo. Na capela do ITIG de Goma, dez noviços deram um passo decisivo na sua caminhada vocacional, pronunciando pela primeira vez o seu “Sim” como Salesianos de Dom Bosco.

Foi um momento de profunda emoção, fé e esperança. Dez jovens, depois de um tempo de discernimento, formação, oração e preparação, colocaram a própria vida nas mãos de Deus, assumindo livremente o caminho da consagração religiosa. O seu gesto não foi apenas uma cerimónia; foi um testemunho de que, mesmo num mundo marcado por tantas incertezas, ainda existem jovens dispostos a entregar a sua vida ao serviço de Deus e dos outros.

A Santa Missa foi presidida pelo Padre Guillermo Basañes, Inspetor da África Central, acompanhado por cerca de vinte sacerdotes salesianos. Entre os presentes encontrava-se também o Padre Carlos Balezi Kabumba, futuro Superior da Visitadoria Congo-Est, cuja tomada de posse está prevista para o dia 24 de agosto. A presença dos irmãos salesianos tornou aquela celebração ainda mais significativa, revelando uma Congregação que caminha unida, sustentando os seus jovens e acreditando na força transformadora das vocações.

Na sua homilia, o Padre Basañes recordou o profundo significado dos três votos religiosos: obediência, pobreza e castidade. Não se trata simplesmente de regras ou obrigações, mas de uma resposta livre, consciente e generosa ao amor de Deus. A obediência ensina a colocar a vontade de Deus acima dos interesses pessoais; a pobreza convida à simplicidade, à confiança e à disponibilidade; e a castidade consagrada manifesta um coração indiviso, entregue a Deus e ao serviço dos irmãos.

Os três votos constituem, assim, um caminho de liberdade interior. O religioso não escolhe perder a liberdade, mas encontrar uma liberdade maior: a liberdade de amar sem possuir, servir sem procurar aplausos e entregar-se sem colocar condições. É uma escolha exigente, mas profundamente bela quando nasce de um coração apaixonado por Cristo e pela missão.

Esta primeira profissão religiosa possui ainda um significado histórico extraordinário. É a primeira profissão religiosa na história da Delegação São José da África Centro-Oriental (AFC-EST). E acontece precisamente às portas de uma nova etapa, com a passagem da Delegação à condição de Visitadoria Congo-Est.

Não poderia haver melhor sinal para esta transição: uma nova estrutura nasce enquanto novas vocações oferecem a sua vida à missão. É como se Deus estivesse a dizer à Família Salesiana: “Não tenham medo do futuro; continuem a semear.”

Goma, com a sua realidade complexa e os desafios vividos pela população do leste da República Democrática do Congo, torna ainda mais significativo este testemunho. Num contexto em que tantas pessoas procuram segurança, esperança e sentido, estes dez jovens apresentam uma resposta diferente: escolheram permanecer disponíveis para servir, educar, evangelizar e acompanhar os jovens, especialmente aqueles que mais precisam de presença e esperança.

A vocação salesiana nasce precisamente deste desejo de estar próximo dos jovens. Dom Bosco compreendeu que uma juventude abandonada pode perder o caminho, mas uma juventude acompanhada com amor pode transformar o mundo. Por isso, cada nova profissão religiosa representa uma semente lançada no campo da missão.

Hoje, dez jovens tornam-se sinais dessa esperança.

O seu “Sim” não pertence apenas a eles. Pertence também às suas famílias, às comunidades que os acompanharam, aos formadores que acreditaram neles, aos irmãos que rezaram por eles e a todos aqueles que, de alguma maneira, contribuíram para que chegassem a este momento.

Uma profissão religiosa é sempre uma história de muitos “sins”: o primeiro “sim” de Deus que chama; o “sim” do jovem que responde; o “sim” da família que aceita; o “sim” da comunidade que acolhe; e o “sim” da Igreja que envia para a missão.

Por isso, a celebração de Goma é também um convite a todos nós. Num tempo em que muitos jovens têm medo de compromissos definitivos, estes dez noviços recordam-nos que ainda é possível acreditar em grandes ideais. Ainda é possível entregar a vida por uma causa maior. Ainda é possível dizer “sim” quando o mundo nos ensina a dizer “talvez”.

A primeira profissão religiosa não significa que o caminho terminou. Pelo contrário, é o início de uma nova etapa. Depois do “sim”, virão desafios, aprendizagens, alegrias, dificuldades e momentos de discernimento. A fidelidade será construída dia após dia, através da oração, da fraternidade, do trabalho, da missão e da capacidade de recomeçar.

É por isso que estes dez novos Salesianos precisam das nossas orações. Que nunca lhes falte coragem quando surgirem dificuldades; humildade quando forem chamados a aprender; perseverança quando o caminho parecer longo; e alegria quando descobrirem a beleza de servir.

Que saibam conservar no coração a chama que os levou a pronunciar o primeiro “Sim”.

Que não se esqueçam dos jovens.

Que não percam a paixão por Dom Bosco.

Que permaneçam próximos dos mais pobres e abandonados.

E que façam da própria vida uma resposta concreta ao amor de Deus.

A história da Família Salesiana no leste do Congo continua a ser escrita. E, nesta página tão especial, dez jovens colocaram a sua assinatura não com tinta, mas com a própria vida.

Dez “Sim” foram pronunciados em Goma. Dez vidas foram oferecidas. Dez sementes foram lançadas.

Que Deus faça crescer estas sementes e que, através delas, muitos jovens encontrem educação, fé, dignidade, amizade e esperança.

Que a nova Visitadoria Congo-Est cresça não apenas em estruturas, mas sobretudo em santidade, fraternidade, vocações e paixão pela missão.

E que Maria Auxiliadora acompanhe estes dez jovens no caminho da fidelidade.

Hoje, Goma celebra dez profissões. Amanhã, a missão colherá os frutos desses dez “Sim”.

Paulino Domingos Viana

Por ; Ir. Paulino Domingos viana!

(magens: ANS-GOMA)

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